O cromossomo Y, responsável por determinar o sexo masculino, é alvo de intenso debate científico sobre a uma possível extinção a longo prazo. A estrutura genética sofreu uma degradação considerável e perdeu dezenas de genes ao longo de 180 milhões de anos. Apesar das manchetes alarmistas, especialistas afirmam que o "fim dos homens" não é uma realidade iminente.
O temor popular surgiu após projeções indicarem que o cromossomo poderia desaparecer totalmente em 4,5 milhões de anos. A bióloga evolutiva australiana Jenny Graves esclarece que a discussão exige cautela. "Surpreende-me muito que alguém se preocupe com a extinção dos homens dentro de cinco ou seis milhões de anos", ponderou a pesquisadora à imprensa internacional.
A degradação da estrutura acontece por causa do isolamento do material genético no genoma humano. Enquanto o cromossomo X abriga mais de 900 genes, o Y conserva apenas cerca de 50 codificadores, como o gene SRY. Sem um par para trocar segmentos de DNA e corrigir mutações durante a produção de esperma, os erros genéticos acumulam-se e tornam-se difíceis de eliminar.
A tese do desaparecimento definitivo não é um consenso na comunidade científica. A bióloga Jenn Hughes, pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), aponta que os genes essenciais do cromossomo Y humano se mantêm estáveis há pelo menos 25 milhões de anos.
Sob essa ótica, a forte pressão evolutiva atua para garantir a preservação de funções vitais no organismo. Caso a estrutura realmente venha a desaparecer no futuro, a ciência prevê a evolução natural de um novo sistema de determinação sexual, fenômeno que já foi registrado em populações de roedores e insetos.
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